Rombo do BRB pode superar R$ 5 bilhões por operações com o Master, estima BC
Estimativa foi feita pelo diretor de supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, em audiência à Polícia Federal em dezembro, segundo vídeo divulgado pelo STF; representantes do BRB e do ex-CEO Paulo Henrique Costa não comentaram
- A afirmação foi feita à Polícia Federal durante audiência realizada em 30 de dezembro, conforme registros oficiais.
- De acordo com Aquino, “é provável que o ajuste supere R$ 5 bilhões”, em razão da qualidade dos ativos transferidos ao BRB.
- O BRB figura entre os poucos bancos estatais que permaneceram sob controle público após o processo de privatizações promovido pelo governo federal no fim da década de 1990.

Crédito: Fachada da sede do BRB, em Brasília - Gabriela Biló-4.abr.25/Folhapress
O Banco de Brasília (BRB) passou a ser alvo de um exame aprofundado após reguladores estimarem que operações relacionadas ao extinto Banco Master provocaram um impacto financeiro próximo de US$ 1 bilhão em suas contas.
Segundo o diretor de Supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, o BRB acabou absorvendo ativos de baixa qualidade ao tentar substituir carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. A afirmação foi feita à Polícia Federal durante audiência realizada em 30 de dezembro, conforme registros oficiais.
Os depoimentos de Aquino, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, e do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, foram tornados públicos na quinta-feira (29) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator responsável por supervisionar o caso.
De acordo com Aquino, “é provável que o ajuste supere R$ 5 bilhões”, em razão da qualidade dos ativos transferidos ao BRB. A declaração consta em vídeo divulgado pelo STF.
A situação de liquidez do BRB vem sendo monitorada de forma contínua pelo Banco Central, segundo fonte com conhecimento do tema. Paralelamente, o Governo do Distrito Federal — controlador da instituição — afirmou estar preparado para realizar eventuais injeções de capital, caso sejam necessárias. A informação foi confirmada pelo secretário de Economia do DF, Daniel Izaias, em entrevista ao Correio Braziliense.
Autoridades indicam que o BRB teria adquirido aproximadamente R$ 13 bilhões em créditos considerados fraudulentos, em operações que, segundo investigações, tinham como objetivo reforçar artificialmente a posição financeira do Banco Master durante uma crise de liquidez. Esses créditos teriam sido originados por empresas constituídas poucos dias antes das transações, sem capacidade econômica compatível com os valores negociados.
Em nota, o BRB informou que já substituiu mais de R$ 10 bilhões desses ativos.
O BRB figura entre os poucos bancos estatais que permaneceram sob controle público após o processo de privatizações promovido pelo governo federal no fim da década de 1990. Em setembro, a instituição possuía R$ 83,5 bilhões em ativos, conforme dados do Banco Central, e atua em segmentos como crédito imobiliário e gestão de depósitos judiciais.
Essas operações são consideradas mais sensíveis do ponto de vista sistêmico do que as do Banco Master, cujo balanço tinha porte semelhante, mas cuja atuação se concentrava em nichos mais restritos do sistema financeiro.
Originalmente voltado ao mercado do Distrito Federal, o BRB iniciou uma estratégia de expansão nacional em 2019, sob a presidência de Paulo Henrique Costa. Em março do ano passado, o banco anunciou a intenção de adquirir o Banco Master, operação que foi amplamente criticada por agentes do mercado, que a classificaram como um possível resgate de uma instituição em dificuldades.
A transação foi vetada pelos órgãos reguladores em setembro, e o Banco Master entrou em processo de liquidação dois meses depois. O desfecho agravou preocupações sobre a solidez financeira do BRB.
Procurados, representantes do BRB e Paulo Henrique Costa não se manifestaram até a publicação desta matéria. Durante depoimento, Costa afirmou que o banco comunicou o Banco Central assim que identificou “padrões atípicos” na documentação de parte dos créditos adquiridos. Ele sustentou ainda que a tentativa de aquisição do Banco Master foi uma decisão estritamente técnica, sem interferência política.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, responsável pela indicação de Costa à presidência do BRB, possui vínculos com o bloco do Centrão no Congresso Nacional e é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em resposta por escrito, sua assessoria informou que o BRB contratou auditoria externa independente e que o caso segue sob investigação da Polícia Federal.
Daniel Vorcaro, por sua vez, reconheceu ter mantido encontros com o governador, mas negou que as decisões envolvendo o negócio com o BRB tenham sido tomadas sem embasamento técnico.


