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Cibersegurança

Brasil entra no top 3 global de ataques de ransomware

País só perde para EUA e Índia em volume de sequestros de dados; cibercriminosos passam a usar IA e ferramentas nativas do Windows para sofisticar ataques

Redação Ruah Publitech23/02/2026
Brasil entra no top 3 global de ataques de ransomware

O Brasil consolidou-se em 2025 como um dos principais alvos do cibercrime global. De acordo com o Relatório de Ameaças Cibernéticas da Acronis, o país ocupa a terceira posição mundial em detecções de ransomware, atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. Na América Latina, lidera com ampla margem.

O dado confirma uma tendência que já vinha sendo observada por especialistas: o Brasil deixou de ser apenas um mercado emergente digital e passou a figurar como um ambiente estratégico para operações criminosas de larga escala.

Phishing segue como porta de entrada dominante

Segundo o estudo, 52% dos ataques têm origem em campanhas de phishing. O volume médio de tentativas por usuário cresceu 20% no último semestre, evidenciando uma intensificação das estratégias de engenharia social.

O phishing evoluiu. Não se trata mais de e-mails mal escritos ou promessas óbvias. As campanhas agora utilizam linguagem contextualizada, simulação de ambientes corporativos e personalização automatizada para aumentar a taxa de sucesso.

O fator humano continua sendo o elo mais explorado.

O perigo mora dentro do sistema: abuso de ferramentas do Windows

Um dos pontos mais relevantes do relatório é o uso crescente de ferramentas legítimas do próprio sistema operacional para conduzir ataques. No Brasil, o PowerShell aparece como o aplicativo mais explorado por agentes maliciosos.

Essa técnica — conhecida como Living off the Land — é eficaz porque:

  • Reduz a necessidade de arquivos maliciosos detectáveis por antivírus tradicionais

  • Dificulta rastreamento e resposta forense

  • Permite execução de comandos maliciosos com aparência de atividade legítima

O ataque deixa de depender exclusivamente de malware clássico e passa a operar dentro do próprio ambiente confiável da vítima.

Esse movimento exige uma mudança estrutural nas defesas: soluções baseadas apenas em assinatura já não são suficientes.

IA como acelerador do crime digital

O relatório também destaca o uso crescente de inteligência artificial por grupos criminosos. A IA está sendo utilizada para:

  • Automatizar campanhas de extorsão simultâneas

  • Criar deepfakes para golpes de sequestro virtual

  • Personalizar ataques em escala industrial

Segundo Gerald Beuchelt, CISO da Acronis, estamos entrando em uma fase onde os atacantes operam com mais velocidade, precisão e volume.

A industrialização do crime digital é uma realidade.

Plataformas corporativas viram novo campo de batalha

Outro dado crítico é o aumento da superfície de ataque em ferramentas de colaboração corporativa. Plataformas como Teams e Slack registraram crescimento de exploração de 12% para 31% em apenas um ano.

Com o avanço do trabalho remoto e híbrido, essas aplicações tornaram-se vetores estratégicos para disseminação de links maliciosos e arquivos infectados.

O ambiente corporativo moderno é distribuído — e o perímetro tradicional praticamente deixou de existir.

Setores mais impactados

Os setores mais afetados incluem:

  • Manufatura

  • Tecnologia

  • Saúde

A característica comum entre eles é a baixa tolerância a interrupções operacionais. Ransomware nesses ambientes gera impacto financeiro imediato, o que aumenta a probabilidade de pagamento de resgate.

Globalmente, mais de 7.600 organizações tiveram dados expostos por grupos como Qilin, Akira e Cl0p.

Fonte: Relatório de Ameaças Cibernéticas 2025, Acronis
Crédito da imagem: Ruah By Gemini